A vida sem maiores luxos na Espanha pouco lembra os impressionantes 319 gols marcados pelo Fluminense no fim da década de 50, mas Waldo não deixa de conviver com a fama no país que escolheu para viver desde que deixou as Laranjeiras, em 1961. Maior goleador da história do clube e único que não pode ser superado por Fred (hoje com 144 gols) nos próximos anos, o ex-atacante costuma lidar com a idolatria de outra torcida, a do Valencia, nome também da cidade onde mora há mais de 50 anos.
Nascido em São Gonçalo, cidade da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, há 80 anos, Waldo hoje fala muito pouco da sua língua natal. Enquanto tenta falar o português, o ídolo tricolor muitas vezes 'tropeça' no idioma valenciano. Dos quatro filhos (dois homens e duas mulheres), apenas um mantém laços mais estreitos com o Brasil e suas palavras.
Foi justamente Walmar que acompanhou o pai em sua visita mais recente ao Brasil, no fim de 2012. Na ocasião, o ex-atacante teve, inclusive, a oportunidade de conhecer Fred pessoalmente. Os dois conversaram por pouco mais de meia hora após um treinamento nas Laranjeiras, e o atual capitão do Fluminense não escondeu a admiração pelo feito do maior artilheiro do clube na história.
"Quando eles se conheceram, falaram de muitas coisas. Lembro que Fred disse para ele que marcando só a metade dos gols do meu pai ficaria muito feliz", recordou o filho Walmar. "Conhecemos ele desde que jogou aqui na Europa, no Paris Saint Germain. Quando ele voltou para o Brasil, falamos que era muito bom jogador, que seria muito importante para o Fluminense", completou.
Waldo atuou no Fluminense por sete anos, entre 1954 e 1961, tendo vestido a camisa tricolor em 403 oportunidades, mas as lembranças hoje começam a escapar. O ex-atacante sofre da Síndrome de Alzheimer, que afeta funções neurológicas como memória, capacidade de aprendizado, fala, entre outros sintomas. Como ainda está em um estágio inicial da doença, o problema mais recente é o esquecimento de fatos recentes, mas o ídolo já se confunde ao falar do passado.
"Às vezes, meu pai até mistura Valencia e Fluminense quando vai falar, mas costuma lembrar bem do passado. Ele faz tratamento das 9h às 17h em uma clínica durante semana e já tem dois ou três amigos que ele conversa sobre futebol do passado", contou Walmar. "Fora isso, ele está muito bem de saúde. Só que tem vezes que não se lembra de alguma coisa. Às vezes não reconhece os netos, por exemplo", explicou.
"Em casa temos guardadas camisas, lembranças do Fluminense. Tento sempre mostrar para ele os jogos do time quando possível também. Assistimos de vez em quando as partidas", contou.
O Fluminense, entretanto, ficou distante de Waldo após 1961, quando o atacante deixou as Laranjeiras rumo à Espanha. Foi pelo Valencia que ele fez outro capítulo marcante de sua carreira: foram 160 gols em 296 partidas, se tornando o segundo maior goleador da história do clube espanhol. Após deixar o time, o atacante ainda atuou pelo Hércules em 1969, em passagem que durou até 1971, quando pendurou as chuteiras.
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